A História das Ciências registra hilários episódios na biografia de alguns cientistas, dos quais se recordam alguns aqui. Sir Isaac Newton(1642-1727), natural de Lincolnshire na Inglaterra, destaca-se entre os maiores físicos. Entre outros brilhantes feitos, descobriu a lei da gravitação universal, a composição da luz branca a partir da fusão de todas as cores do espectro, demonstrada com um simples engenho conhecido nos laboratórios sob a denominação de disco de Newton, disco de papelão com secções pintadas nas diversas cores: quando parado, os cones de cores aparecem a olhos claros; posto em movimento de rotação, as cores desaparecem, tornando-se o círculo completamente branco. Também brilhou em Matemática descobrindo o Cálculo Diferencial e Integral, ao mesmo tempo, mas independentemente do matemático e filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibiniz. Ao envolver-se em suas descobertas, Newton parecia esquecer tudo em volta de si. Certa vez, esqueceu de alimentar-se. Quando a fome apertou-lhe as entranhas, teve a idéia de cozinhar um ovo. Encaminhou-se ao fogão, com o ovo numa das mãos e o relógio para marcar o tempo de cozimento na outra. Acendeu o fogo, colocou a chaleira com água sobre a chama. Porém, quando a água entrou em ebulição, ao invés de nela mergulhar o ovo, dentro dela depositou o relógio.
James Prescott Joule(1818-1889), natural de Lancashire na Inglaterra, descobriu que a energia liberada por um condutor qualquer – lâmpada incandescente, transformador, motor elétrico - equivale a E = I2R, onde E = energia, I = intensidade da corrente elétrica, R = resistência do condutor. Por exemplo, se a intensidade é medida em ampères e a resistência em ohms, a energia se expressará em joules. Seu nome ficou, portanto, associado à denominação da energia no sistema de medidas MKS. Descobriu ainda o equivalente mecânico da caloria – quantidade de calor necessário para elevar um grama de água de um grau Celsius – como sendo igual a 4,18J. Para este último feito, viveu curioso episódio ao lado da esposa levada para lua de mel. Logo após as núpcias, Joule conduziu a esposa para a lua de mel na cachoeira de Niágara. Lá chegando, substituiu o natural interesse pela esposa pela veemente curiosidade de saber o que estava acontecendo com a energia das diluviais águas em queda da cachoeira, mecanicamente calculada por E = mgh – onde E = energia, m = massa da água, g = aceleração da gravidade(9,8ms2), h = altura da queda em metros. Assumiu a hipótese de que essa fabulosa energia estava se transformando em calor. A maneira escolhida para verificar tal hipótese consistiu em verificar as temperaturas das águas antes e depois da queda. Portanto, entregou um termômetro à mulher, solicitando-lhe que o mergulhasse na água, determinando-lhe a temperatura da mesma depois da queda, na parte inferior do rio. Ele mesmo ficou fazendo o mesmo trabalho em cima, na parte superior do rio, antes da queda.
André Marie Ampère(1775-1826), físico natural de Lyon na França, desenvolveu a teoria do eletro-magnetismo, o primeiro eletro-ímã, inventou o galvanômetro e o primeiro telégrafo, deixando o próprio nome ligado à denominação da unidade de corrente elétrica no sistema MKS. No horário da refeição, Ampère deixava momentaneamente o laboratório e se encaminhava para a própria residência. Batia à porta, sendo atendido pela governanta, muito míope. Esta não o reconhecia, considerando-o um estranho a quem dizia: Monsieur Ampère não se encontra em casa. Ampère afastava-se pelas ruas, absorto em suas reflexões, para somente depois lembrar-se que era o próprio Ampère, o dono da casa e patrão da governanta. Criava, também, dois gatos de estimação, para os quais tinha que abrir freqüentemente a porta do laboratório quando eles miavam. A fim de eliminar tais interrupções no trabalho intelectual, Anpère solicitou a um carpinteiro que fizesse duas aberturas na parte inferior da porta, uma maior para o gato maior e uma menor para o gato menor. A quem o carpinteiro observou: Mas, Monsieur Ampére, uma única porta maior é suficiente: por onde passa um gato grande também passa um pequeno...
O casal de químicos, Pierre Curie(1859-19060), natural de Paris, e Maria Sklodowska(1867-1934), natural de Warsaw, concentraram-se na pesquisa de elementos radioativos, descobrindo o rádio e o polônio. Para obtenção do elemento, procederam fazendo o aquecimento da pechblenda. Contudo, subestimaram a quantidade de lenha necessária para o procedimento. Para na deixar inconcluso o processo, Maria ficou ao forno, enquanto Pierre arrastava móveis e arrancava o assoalho da casa para queimá-los. Esquecido de alimentar-se exausto de cansaço, Pierre desfaleceu. De tão concentrada na pesquisa, Maria não percebeu o desmaio do esposo, vendo sozinha, pela primeira vez, o aparecimento do metal radioativo.
Observe-se, contudo, que aparentes distrações dos cientistas revelam elevada e intensa concentração no objeto de suas pesquisas. Com efeito, os psicólogos distinguem dois tipos de atenção. A atenção difusa, típica das crianças e animais jovens, é fugaz, dispersa e veloz, mudando com a mudança dos objetos que passam momentaneamente pelo campo visual ou ao alcance dos outros sentidos. O caso extremo se encontra em crianças hiper-ativas, altamente buliçosas e irrequietas. Já a atenção concentrada, própria dos adultos, fixa-se e investe no exame de determinado objeto. O caso extremo situa-se aqui no episódio observado pela escrava trácia ao sorrir do filósofo que, de tanto contemplar o firmamento, terminou caindo no poço.
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