sexta-feira, 28 de novembro de 2008

LÓGICA DO LUCRO

Os economistas definem o lucro(L) como a diferença entre o preço de comercialização(C) de um bem ou serviço e o custo de produção(P) pelo qual ele é obtido: L = C – P. O custo de produção é o somatório de todos os insumos gastos para obtenção do bem ou serviço: matéria-prima, energia elétrica, térmica e mecânica, transporte da fonte à fábrica e desta ao consumidor, mão-de-obra, salários e encargos sociais(décimo terceiro mês, previdência, seguro, vale-transporte, vale-alimentação). Na escrituração mercantil de caixa, o lucro é a diferença entre as colunas do haver e do dever.
Uma das premissas fundamentais do sistema capitalista, no insaciável processo de concentração de renda, consiste em aumentar cada vez mais o lucro, ou seja, a diferença entre preço de venda(C) e gastos na produção(P). Para tanto, procura, de um lado, por todos os meios e expedientes, aumentar o preço de comercialização(C). Por exemplo, o mercado de veículos oferece modelos de motocicleta cujo preço supera, em mais de três, aquele de um automóvel popular. Lembre-se que este tem quatro rodas e uma quinta no estepe e não apenas duas, como aquela, maior tamanho, número de peças e cilindrada no motor. E o Estado comporta-se como escravo fiel da estranha lógica, cobrando taxa de emplacamento bem maior para a motocicleta. Contudo, o preço de venda não pode aumentar desenfreadamente ad libitum, pois as empresas concorrentes podem baixar um pouco os seus, ganhando assim a luta pelo mercado consumidor. No entanto, as empresas contornam este óbice, formando monopólios e firmando cartéis.
Por outro lado, a mesma premissa fundamental do sistema capitalista, para efeito de maximização do lucro, consiste em diminuir cada vez mais os gastos na produção(P). Para tanto, terceiriza serviços, passando para outros, os insumos com instalações, aluguéis e contratação de pessoal; instala fábricas próximas dos mercados mais consumidores, diminuindo assim os gastos com transporte; reduz a quantidade de mão-de-obra através da mecanização e informatização no trabalho; instala parques industriais em regiões de mão-de-obra mais barata ou com o aliciamento de incentivos fiscais; substitui formas mais dispendiosas de energia por complexos alternativos geradores de energia limpa mais barata, como a solar, a eólica, a geotérmica, a da força das marés; cria parcelamentos e outras formas de financiamento.
O lucro unitário é aquele referente a um só bem ou serviço, por exemplo, o obtido na venda de uma geladeira, de uma garrafa de refrigerante, ou de um leito hospitalar, de uma matrícula na escola. Lucro total é o somatório de todos os lucros unitários da empresa. Evidentemente, a concentração de renda será tanto mais intensa quanto maior for tanto o lucro unitário quanto o total. Este reduz substancialmente os gastos com aquele. A formatação e o conteúdo de um único livro serve para imprimir milhares. Para aumentar o lucro total, as empresas mais agressivas investem pesado na publicidade e marketing. Seus estandartes tremulam por todos os lados. Sua publicidade ocupa muros das ruas e rodapés das arquibancadas em estádios esportivos. Os atletas de olimpíadas, das chuteiras, através do calção e camisa, até o boné, transformam-se em verdadeiros outdoors ambulantes das firmas patrocinadoras. Ela interrompe várias vezes o noticiário, a novela ou o filme da televisão para apregoar as virtudes da mercadoria. Oferece aos consumidores brindes como canetas esferográficas, chaveiros e medalhas.
Essa lógica, contudo, mal pode camuflar profunda contradição. Para que os mercados potenciais possam ser explorados requer-se que tenham suficiente poder aquisitivo para as compras, sobretudo aquelas de mais elevado valor. E isto se opõe à desenfreada concentração de renda. Aqui cabe uma observação de Karl Max(1818-1883). O capitalismo é um cortejo fúnebre no qual ele é, ao mesmo tempo, o coveiro e o defunto.

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