quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PROFUNDIDADE E SIMPLICIDADE

Como poderia parecer à primeira vista, em Estilística, a simplicidade não se opõe à profundidade, e sim à obscuridade. Ao contrário, a simplicidade funciona como chave de cúpula da desejável profundidade. Assim parece haverem entendido os grandes educadores da História.
O objetivo racional de quem fala ou escreve consiste em se fazer compreendido por ouvintes ou leitores. Quem não deseja, antes e acima de tudo ser por eles compreendido, agiria logicamente ficando calado ou deixando em branco o papel, ociosa a caneta ou em branco a tela do computador. E, para que a compreensão de ouvintes ou leitores se obtenha, os bons educadores utilizam recursos pedagógicos apropriados.
Filósofos gregos, bem anteriores a Cristo, já conheciam a máxima didática tomada para esteio da epistemologia de John Locke(1632-1704): Nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensubus(Nada existe no intelecto que não tenha existido primeiro nos sentidos). Donde resulta para o bom comunicador a importância de recorrer aos conhecimentos empíricos dos destinatários de sua mensagem. Portanto, transmite o ainda desconhecido comparando-o com o já conhecido, mostrando as semelhanças e diferenças entre um e outro. Para paraibano analfabeto que jamais viu zebra, não adianta muito afirmar que ela é um solípede de taxionomia Equus grevyi. Recomenda-se apelar para o jumento que ele cavalga e vê todos os dias e dizer: a zebra é um animal africano semelhante ao jumento em tamanho e formato, mas apresentando pelagem branca listrada de preto. A explicação melhora com a exibição de desenho ou fotografia da zebra e se completaria mostrando-a no circo ou jardim zoológico. Os pedagogos chineses costumam afirmar: uma figura fala mais do que mil palavras e a realidade fala mais do que mil figuras.

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