Política é uma das palavras mais empregadas no vernáculo. Os lexicólogos lhe atribuem diversos significados. O magistral Aurélio, por exemplo, enumera e define dez verbetes para a palavra. Pode significar a ciência dos fenômenos referentes ao Estado, oferecendo cursos de graduação, mestrado e doutorado. Pode definir-se como a arte de bem governar os povos, sendo considerado bom estadista o governante que assim procede. Emprega-se também o termo para designar o conjunto de objetivos e estratégias que constituem determinado programa de ação governamental, condicionando-lhe a execução. Emprega-se ainda para denominar habilidade no trato das relações humanas em busca dos resultados desejados e que não são necessariamente estatais. Diz-se assim que um bom líder de grupo é aquele capaz de envolver a participação de todos os membros na formulação e na execução dos objetivos. Verbetes como esses procuram definir a política por seu aspecto nobre e desejável.
Porém, existe também uma acepção ignóbil e indesejável para política, pejorativamente confundida com politicagem, politiquice ou politicalha, recebendo seus inescrupulosos profissionais as denominações de politiqueiros, politicalhos, politicalhões. Caracteriza-se pelo uso e abuso da astúcia, do ardil, do artifício e da esperteza para ludibriar os outros, postos a serviço dos interesses pessoais em detrimento dos sociais. Com o cinismo dos sofistas mais radicais e interlocutores dos Diálogos de Platão, o politiqueiro está convencido de que o poder e o dinheiro tudo resolve: corrompe os magistrados dos tribunais, que deveriam defender a justiça, suborna ministros da religião para celebrar apoteóticas liturgias de ação de graças. Recebe rasgados encômios dos comparsas e entusiasmados aplausos das multidões. Deploravelmente, O Brasil é pródigo em tristes exemplos desta natureza.
Etimologicamente, política deriva do vocábulo grego polis, que significa cidade, sendo, portanto, cognato de metrópole(cidade modelo), necrópole(cidade dos mortos, cemitério), Acrópole(cidade do alto), Petrópolis(cidade de Pedro). Em acepção etimológica, política equivale à cidadania e se aplica a todos aqueles que sabem viver bem em cidades ou sociedades, tanto a governantes quanto a súditos. Políticos são tanto os governantes que gerenciam bem os recursos públicos - não a serviço de seus mesquinhos interesses pessoais mas em benefício de todos – quanto governados, cônscios de seus deveres e direitos em relação a governantes e a qualquer outro governado.
Onde falta política em sentido nobre, o maior desrespeita o menor. Isto não ocorre apenas em termos de estatura e sistema muscular. Quem anda em transporte atropela o pedestre; a motocicleta colide na bicicleta e o automóvel em ambas. O homem vilipendia a mulher. O adulto maltrata crianças e idosos, o branco o de cor. E, o que é mais grave, educadores, de quem se esperaria conhecer e viver a cidadania em maior intensidade, insultam alunos e estudantes. Os doutores contemplam com desprezo os mestres. Mestres olham de soslaio os simplesmente graduados. Uns e outros zombam dos analfabetos e do saber popular. Em qualquer lugar reina e impera plenipotenciária a pirâmide do autoritarismo com seus labirintos de organogramas, na ignorância de que todo poder emana do povo, em nome proveito deste deve exercer-se, pois é ele carrega o esmagador peso dessa figura geométrica, contribuindo a tempo e hora, com onerosos impostos, sob ameaça e pena de severas punições.
Como lenitivo resta-nos a esperança de que os comportamentos políticos evoluam de sua forma ignóbil para a nobre. Ou, conforme propusera o Zaratustra de Nietzsche(1844-1900), que o homem do porvir se distinga tanto do homem do presente como este se distingue do macaco. Oxalá tal esperança seja a proverbial e otimista de quem espera sempre alcança, não aquela outra pessimista de quem espera sempre cansa....
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