terça-feira, 25 de novembro de 2008

VARIÁVEIS

Há dezenas de anos, povos asiáticos, como assírios, babilônios, chineses e japoneses, já conheciam a importância das variáveis para construção das ciências naturais. Graças a elas, os egípcios erigiram pirâmides, templos e monumentos colossais que continuam fascinando os visitantes. Entre os antigos gregos, destacou-se a saliente contribuição de Arquimedes(290-212 ACN) de Siracusa. Inventou o parafuso que traz o seu nome. No parafuso de Arquimedes, longa estrutura helicoidal provida de manivela na parte superior, bem ajustada a um cilindro e inclinada em angulação de 45o, eleva a água do porão de navios ou de poços. Servindo-se de espelhos parabólicos, incendiou a esquadra romana que ameaçava destruir Siracusa. Descobriu o princípio do empuxo, segundo o qual, todo corpo colocado num fluido(líquido, vapor ou gás) sofre uma força vertical de baixo para cima igual ao peso do fluido por ele deslocado. Calculou o número Π com aproximação de três casas decimais.
Depois de longo período de ostracismo, a observação das variáveis, enquanto condição indispensável para construção das ciências factuais, foi retomado por Nicolaus Copernicus(1473-1543), Tycho Brahe(1546-1601), Giordano Bruno(1548-1600), Galileo Galilei(1564-1642), Johannes Kepler e Isaac Newton(1642-1727). O polonês Copérnico substituiu a Terra pelo Sol como centro de nosso universo. O dinamarquês Tycho Brahe inventou os primeiros instrumentos de observação astronômica, mediu e fixou a posição de mais de 700 estrelas. O italiano Galileu inventou o telescópio, descobriu montanhas e vales na Lua e quatro satélites de Júpiter, as leis do movimento pendular, o valor da aceleração centrípeta terrestre, sendo por mérito considerado o pai do método experimental moderno. O alemão Kepler descobre as leis que regem o movimento dos planetas descrevendo elipses em torno do Sol. O inglês Newton descobre a lei da gravitação universal.
Denominam-se variáveis quantitativas aquelas que se podem mensurar, às quais se pode atribuir um valor numérico. Exemplificam-nas a altura e o peso das pessoas. Denominam-se variáveis qualitativas aquelas que não se podem medir, como a cor da pele, dos olhos e dos cabelos, o formato do crânio, do nariz e das orelhas.
O árduo trabalho de construção do conhecimento científico se opera com a curiosa, paciente, atenta e metódica observação das variáveis que andam associadas umas às outras no objeto estudado. Às vezes, se encontram associadas duas variáveis qualitativas. Verificou-se, por exemplo, que, em pessoas expostas aos raios solares, o câncer de pele manifesta-se mais naquelas de tez branca do que nas outras de cútis negra. Outras vezes, se acham associadas duas variáveis quantitativas. Assim os nutricionistas ensinam que o peso da pessoa é tanto maior quanto maior é a quantidade de calorias ingeridas na alimentação diária e quanto menor o número de horas dedicadas ao exercício muscular. Enfim e mais raramente, variáveis qualitativas se associam a quantitativas. É o caso das notas musicais que, quanto mais agudas tanto mais correspondem a freqüências elevadas: o dó mais grave da orquestra é produzido por onda longitudinal de 16Hz, o dó de uma oitava acima por outra de 32Hz e oitavas superiores por 64Hz, 128Hz, 256Hz... É o caso ainda das cores que correspondem a diferentes comprimentos de ondas transversais, conforme suas posições no espectro: o roxo aparece com ondas de 4.000 Ǻ, o vermelho com as de 6.000 Ǻ.
O estudo das variáveis, à semelhança de tantos outros, oferece lições pedagógicas sobre o ensino das ciências naturais. Este consiste muito mais em desenvolver nos educandos hábitos de observação pessoal, de cuidadosa comparação, de tabulação de dados, de elaboração e interpretação de gráficos, de aceitáveis conclusões sobre os resultados, do que na mecânica memorização de leis, fórmulas e princípios desacompanhados da imprescindível compreensão. A quantidade das informações deve submeter-se à qualidade da formação. O programa didático deve privilegiar o exercício e o domínio do método científico, que permitirá ao educando aprender bem por si mesmo o que se encontra dentro e fora do programa.Aqui como alhures cai bem o adágio popular: Mais vale dar o anzol que o peixe.

Nenhum comentário: